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VOLTOLINI, Rinaldo. A inclusão  é não toda. In: Travessias inclusão escolar: a experiência do grupo Pré-escola Terapêutica Lugar de Vida / organizador Fernando Anthero Galvão Colli. – São Paulo: Casa do Psicologo, 2005 .

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“De uma lado, os entusiastas extremistas que, negando a diversidade do real, acabam transformando as criancas em soldados da causa da inlcusão, enviado-as para um verdadeiro front sem que a elas seja dadas muitas chances de sobreviver. Uma professora dizia após uma discussão de caso de uma tentativa fracassada de inclusão de uma criança numa escola regular ‘mas pelo menos garantimos a ela o direito de estar na escola, vocês não acham? É preciso insistir”… Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura!’”(p.151)

A partir desse trecho do texto de Voltolini, podemos refletir sobre a experiência de muitas crianças em situação de inclusão que estão frequentando as escolas hoje. Há muitas perguntas que não conseguimos responder quando adentramos a prática:

O que configura uma escola inclusiva ideal? A partir da suas vivências, que estratégias tem sido usadas nas escolas que vocês trabalham de forma exitosa?

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“Nossa sociedade gosta de mostrar os portadores de deficiência protagonizando espetáculos de superação dos limites. (…) uma sociedade que se acostumou com a promessa científica de que não há limites que não possam ser superados; se ainda não hoje, amanhã com certeza.” (p.154)

Algumas vezes, nossas crianças representam símbolos de superação. Outras vezes, são crianças coitadinhas. Tem ainda, as crianças bonitinhas, fofinhas. E quando paramos para pensar, percebemos: ou a criança é uma heroína por ter ultrapassado diversos obstáculos ou é incapacitada porque possui um problema. Quando passaremos a enxergar a criança para além de seus problemas? Quando pararemos de ver o seu problema antes de ver a criança? Isso é possível? Como?

Uma sociedade que não se permite viver com dificuldades, deficiências, problemas, e corre em busca da solução, solução esta, em sua maioria, estacionada no estatuto de verdade da ciência. E nossas crianças “de inclusão”, será que estamos buscando soluções para elas também? Qual o objetivo de nossas intervenções?

São indagações que nunca podemos perder de vista para não cairmos na mesma lógica – lógica da superação, resolução de problemas e, porque não, de cura.

 O autor mesmo nos responde e nos coloca a pensar.

“(…) admitir a precaridade de nossos recursos diante de algumas situações, quando elas relamente existem, é mesmo uma alternativa procutiva em contraposição a outra, defensiva e , em geral, imobilizante.” (p.152)

“(…) a inclusão tenha um lado terminável e outro interminável. Ou seja, que ela tenha um resto do qual não se pode evadir.” (p.155)

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