Em reação a uma série de manifestações que visam desqualificar a Psicanálise como linha de abordagem no tratamento de pessoas com autismo, profissionais de saúde mental decidiram organizar um movimento em defesa da aplicação de múltiplas abordagens no trabalho com essas pessoas. O movimento tem como objetivo refutar, baseado em pesquisas e estudos com rigoroso valor científico, tentativas de adoção, nas políticas de saúde pública, de modelos de tratamento exclusivos.
O acontecimento que gerou a fagulha para o movimento foi um Edital lançado pela Secretaria de Saúde de São Paulo, em 04 de setembro de 2012, aberto para o credenciamento junto à SES de instituições de saúde mental trabalhando com autismo. O Edital permitia inscrição exclusivamente para as instituições que seguissem o método cognitivo-comportamental. Pouco tempo depois, o Centro de Referência da Infância e Adolescência – CRIA, ligado a Universidade Federal de São Paulo e de orientação psicanalítica, teve as suas portas fechadas, com base no argumento de que a psicanálise não possui base científica. Porém, graças à reação de colegas e instituições envolvidas no atendimento multidisciplinar de pessoas com autismo e de suas famílias, o fechamento do CRIA foi revogado e a instituição voltou a funcionar.
O movimento, que se denominou “psicanálise, autismo e saúde pública”, já conta com mais de 350 profissionais de todo o território nacional, representando 100 instituições. Contam-se entre elas instituições universitárias, instituições psicanalíticas de diferentes filiações teóricas, organizações não governamentais e instituições de tratamento. O movimento pretende reforçar a organização e a coordenação dos esforços que vêm sendo empreendidos no sentido de fornecer informações abalizadas e responsáveis, isentas de interesses politicos e ideológicos particulares, para subsídio da definição e implantação de políticas públicas de saúde mental e, em especial, para pessoas com autismo.
Vale a pena entrar no blog do Movimento para se aprofundar em questões sobre autismo. Tem textos muitos interessantes sobre diagnóstico e atendimento. Lá também vocês podem encontrar o manifesto do Movimento. 
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