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O texto “A criança com deficiência é café-com-leite?”, do blog Inclusão Aprendiz, inspira esse post.

A famosa expressão “café-com-leite” explicita o que muitos de nós sentimos sobre experiência escolar dos “alunos de inclusão” – sabemos que ele não vai aprender, mas deixamos ele estar na escola mesmo assim. A escola hoje, por vezes, assume a postura de estar fazendo um favor a esses alunos e suas famílias. Esquece que todo aluno tem o direito de estar na escola, e todo o aluno é capaz de aprender. Está fazendo sua obrigação mínima, aceitá-los na escola. E como essa forma de enxergar a inclusão nos incomoda!

“Ela estará na escola, mas não estará jogando”

A criança está na escola, ponto. Fazê-la jogar cabe ao mediador. O que fazemos hoje talvez seja integração, uma escola integrativa, mas não inclusiva. Talvez seja hoje o possível, mas é preciso admitir isso e não se esconder atrás da bonita máscara da inclusão. Preciso admitir que não fazemos inclusão para que possamos continuar buscando modos de fazê-la de fato.

“O aluno deficiente precisa (…) saber porque é importante aprender (…). Um sentido para sua aprendizagem, é algo que todo e qualquer aluno deveria ter.”

Compromisso com o aprendizado é a ideia chave do texto. Compromisso é apostar que eles podem aprender, é levar seu aprendizado a sério, é cobrar dele aquilo que ele pode fazer, como fazemos com qualquer aluno. É não tratá-lo como “café-com-leite”, seja família, escola, ou mediador. Esse talvez seja nosso maior desafio.

E por fim, o texto traz uma bela conclusão:

“Ter um filho ou aluno “café-com-leite” resulta em economia na expectativa e no investimento e numa conseqüente resposta econômica por parte da criança, ou seja, ninguém faz tudo o que pode ou precisa ser feito – nem ela, nem seus pais, nem seus educadores. Encarar o aluno com SD ou outra deficiência de maneira séria significa que o aluno vai dar o máximo de si, enquanto a escola e o educador estarão dando o máximo deles também. Ninguém estará fazendo de conta, nem que aprende, nem que ensina. A criança com necessidades educativas especiais merece e pode estar no jogo. E  jogar.”

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