http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2013/11/11/congresso-ameaca-afastar-criancas-com-deficiencia-do-ensino-regular/

Um tanto perigoso essa empreitada de senadores e deputados, mas talvez sempre aja iniciativas buscando retornar ao lugar seguro e conhecido. Porém nesse caso, é também o lugar da segregação.
Talvez seja ingenuidade, mas parece que já não temos mais espaço na sociedade para tamanho retrocesso. São muitas as instituições – espaços terapêuticos, famílias, escolas, profissionais – que já apóiam e clamam pela inclusão.
Fica marcado na reportagem que são as APAES que estão a frente desse movimento. As APAES precisam entender que elas podem ser excelentes espaços para atendimento terapêutico, não escolas.
É um retrocesso sem dúvida, mas ao mesmo tempo temos que perceber as encruzilhadas dessa lei de inclusão. Uma lei radical a favor da inclusão (entendemos que haveria de retirar o tal “preferencialmente”) coexistindo com escolas regulares sem projeto algum de reformulação de seus procedimentos é um risco. Precisamos lembrar que estamos lidando com um país gigante e que a lei precisa valer para todos os espaços.
Jogamos então os alunos ditos de inclusão na escola regular porque eticamente ou filosoficamente é o correto? Colocamos nossos alunos, filhos, irmãos, amigos em um front de guerra? E quais cuidados oferecemos?
Essa batalha é política, não há estrutura. Só criaremos estrutura se esses alunos em situação de inclusão entrarem nas escolas. Não podemos manter esses alunos com dificuldades segregados até que as escolas criem, magicamente, estruturas para recebê-las.
Agora, como garantimos essa luta política necessária e qualidade na vivência escolar desses alunos? O que eles aprendem? Hoje, em muitas escolas particulares, parece que são os mediadores que fazem essa dupla função – buscam espaço de brecha na instituição e garantem um olhar diferenciado para os alunos.
Um pensamento interessante para nós, mediadores, é que estamos nesse lugar, hoje, que garante essas dupla entrada – a política e o aprendizado – mas, na medida em que a escola se organize poderemos sair. A luta política já não será tão necessária e o aprendizado será garantido pela escola.
Precisamos ter esse horizonte, não podemos apostar na nossa permanência eterna e nem nos imaginarmos fazendo inclusão. Somos apenas um instrumento nessa luta pela inclusão, um degrau a ser ultrapassado em busca do próximo,  em uma escada que vai se encurtando.
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