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Semanas atrás, participamos da “XIII Semana de Psicologia da UFF”. Fomos convidadas para discutir o tema “Inclusão e Mediação Escolar”. Para isso, escolhemos levar algumas cenas do nosso trabalho como mediadores.

O encontro funcionou como uma roda de conversa onde pudemos debater livremente o tema. A partir das cenas lidas, muitos questionamentos foram feitos. , Compartilhamos aqui algumas ideias que surgiram nesse encontro: Dentro da escola caberia ao mediador ser a referência para o aluno em situação de inclusão? Como os professores, em suas salas de aula, vêm trabalhando a questão da diferença com seus alunos? A presença do mediador contribui ou atrapalha a inclusão na escola? Qual o objetivo do mediador dentro de sala com o aluno? Será que cabe ao mediador ocupar o papel de professor do aluno?

Saímos do encontro com mais perguntas do que entramos. Que bom!, já que são elas que sustentam nosso trabalho. Pudemos dividir algumas ideias com os presentes, sem muitas respostas. Por exemplo, entendemos que o trabalho de mediação se constrói no encontro com o aluno, a escola, a família. O mediador entra na escola para auxiliar a criação de estratégias frente aos desafios da inclusão do aluno; ou seja, buscamos ser um profissional a mais, compondo em parceria com a escola, e não o ator principal desse processo. Às vezes atuamos dentro de sala, em outros momentos trabalhamos fora de sala; quando estamos em sala tentamos estar junto com o professor, e as apostas que serão feitas junto com o aluno dependerão das dificuldades e facilidades que encontrarmos.

Os questionamentos que apareceram durante o evento na UFF evidenciam que o processo de inclusão é recheado de impasses. Não sabemos, antes de começar, o que iremos fazer. Dessa forma, entendemos que as tensões e os impasses são bem-vindos, eles abrem brechas que para possamos balançar e, quem sabe, até modificar a estrutura por vezes enrijecida da dinâmica escolar.

O impasse existe. A dúvida, também. Entramos nas escolas, muitas vezes, para obturar os buracos do processo de aprendizagem do aluno em situação de inclusão; para tentar criar algum contorno diante de tantos desafios e impossibilidades. Acreditamos que também é nosso papel deixar aparecer essas faltas, pois são elas que afirmam que o funcionamento da escola precisa se modificar. Assim, com frequência, é preciso sustentar a ansiedade e o medo diante dos buracos, dos erros, dos problemas, para dar oportunidades para que a escola aja, resolva, improvise, providencie, se mova.

Saímos modificados desse encontro na Psicologia da UFF. Acreditamos que esses espaços de discussão são potentes, na medida em que criam alargamentos e questionamentos sobre nossas práticas. Cabe a nós, no encontro com a diferença, estar sempre perguntando: Estamos criando movimento ou enrijecimento? Produzindo reflexões ou apaziguamentos? De que inclusão estamos falando?

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