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Quando algo novo surge dentro de um cenário regido por princípios que se conservam os mesmos no curso do tempo, e que prezam pela manutenção da ordem e da normalidade, acreditamos que tensionamentos se produzem. É esse o cenário que se apresenta na inclusão escolar. O inesperado invade as escolas, e registra que os funcionamentos que antes serviam já não dão conta do novo. É neste contexto que o profissional que atua como mediador escolar aparece na escola e se soma à onda de novidades que balançam as instituições escolares no momento atual.

São muitos desafios para um modo de fazer que vem sendo o mesmo ao longo de tanto tempo.

Entendemos e partilhamos das angústias, medos, incertezas e possibilidade que acompanham todos os desafios desse novo cenário. Queremos frisar que não nos interessa denunciar o que dentro da escola não funciona, ocupando o lugar de espiões. Também não queremos nos colocar tão externos ao funcionamento institucional ao ponto de ocupar, junto com o aluno em situação de inclusão, um lugar separado do coletivo. Portanto, interessa-nos, sobretudo, as parcerias. Queremos juntar esforços para ser mais fácil assumir os incômodos que surgem nesse encontro com as variações de funcionamentos, e pensar estratégias que de fato ajudem a diferença a se tornar parte do coletivo.

Acreditamos que enquanto os funcionamentos institucionais significarem entraves para a soma de esforços, mais solidão nas práticas profissionais se produzirá. Sem dúvidas, quanto mais agentes estiverem em conexão uns com os outros dentro da escola, mais espaços possíveis serão desenhados para que o aluno possa ocupar, e esse esforço será um objetivo de todos.

Mas, como construir um entendimento de que esse aluno e todos os outros, são alunos da escola, e não apenas de um(a) professor(a) ou de um(a) mediador(a) específico? Como podemos produzir um trabalho de forma integrada, no qual o próprio aluno faça parte dessa equipe?

Acreditamos que um caminho possível é cavar mais espaços de discussão coletiva, onde caibam todos os atores da escola, sejam eles adultos, crianças ou adolescentes. O que o próprio aluno nos diz sobre as dificuldades que se criam entre seu funcionamento e o funcionamento da escola? Já nos ocorreu envolvê-lo mais na elaboração de alternativas às próprias problemáticas? E os demais alunos? O que pensam sobre que se passa com a diferença? De que forma podemos criar espaços mais ativos de discussão onde os próprios alunos ajudem a construir a escola?

E os agentes da escola que estão com os alunos num intervalo de tempo menor, como os professores extras, a coordenação e os inspetores? Como podem inscrever na sua prática cotidiana ações que ajudem esse aluno em situação de inclusão a ocupar espaço na escola a partir de seus funcionamentos singulares? Entendemos que é preciso parar e pensar juntos. Discutir as limitações e possibilidades do aluno, do grupo, da escola, e elaborar proposições. E entender que as apostas precisam de um tempo para se consolidar; que todos juntos precisam se apoiar para que elas ganhem consistência e sustentem os incômodos e estranhamentos que irão surgir durante sua implementação.

Em uma resposta rápida à necessidade de apaziguamento das tensões, acabamos atuando no sentido de uniformizar o comportamento, a conduta e o desempenho do aluno na escola. Muitas vezes colocar um mediador ao seu lado em tempo integral faz parecer que ele consegue fazer tudo igual aos outros. No entanto, o que não se percebe, é que, tanto a escola que demanda e implementa essa estratégia, quanto o mediador que topa esse trabalho, acabam por impedir a diferença ali manifestada pelo aluno de produzir transformações no universo escolar. E pouco ou nada nos preocupamos em interrogar o que se passa ali, perpetuando uma lógica de exclusão da diversidade. Entendemos que o que se produz com isso são bengalas e instrumentos de inclusão precários, que fazem o aluno existir como um anexo da escola e não parte de fato integrante.

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