O Jornal Nacional, na semana passada, mostrou uma série de reportagens sobre educação inclusiva. Acreditamos ser muito importante, nesse momento, mostrar o quanto caminhamos até agora. No entanto, logo nas primeiras cenas, fica evidente que ainda temos muito por caminhar.

É alarmante a forma como a repórter lida com os alunos que aparecem: por terem síndrome de Down, eles recebem um abraço apertado e são tratados de forma infantilizada. Os abraços calorosos denunciam o lugar “especial” que esses alunos ocupam e para nós, fica a questão: como os outros alunos ditos normais se sentem em relação a isso? Percebemos nesse ato que falar é uma coisa e fazer é outra bem diferente.

Afirma-se constantemente que é preciso tratar todos iguais e para isso acontecer, devemos oferecer o mesmo currículo para todos. O currículo não deve ser o mesmo se entendemos – e hoje todas as pesquisas vão nesta direção – que os alunos possuem formas diferentes de aprender e, por conta disso, precisamos variar as formas de ensinar. Ao defender tudo igual para todos não estamos sendo justos, pois justiça é dar ao outro aquilo que ele pode receber. Currículos diferenciados, mais complexos ou menos complexos, são fundamentais para fazer valer a diversidade na aprendizagem e aceitar que funcionamentos distintos podem se compor em um coletivo. Isso não é fácil, mas é possível.

Mais um ponto que vale a pena abordar é sobre as aprendizagens dos alunos em situação de inclusão. A expectativa é muito baixa: acha-se que eles não são capazes (ou são pouco capazes) de aprender; e quando aprendem, viram super heróis. Nós não sabemos quanto, nem quando, cada aluno irá aprender. Dessa forma, precisamos apostar o tempo inteiro; precisamos investir e criar novos caminhos de trabalho quando aqueles já dados não estão funcionando.

A veiculação do tema da inclusão é de extrema relevância para a sociedade. No entanto, permanece um modo de entender e se relacionar com as pessoas em situação de inclusão que reafirma a infantilização das mesmas; tratar como especial, como coitado ou como herói não contribui para a luta por uma sociedade onde caibam todas as diversidades. E isso não podemos mais aceitar. Se quisermos que as pessoas, com todas as suas dificuldades e potencialidades, verdadeiramente ocupem espaços na sociedade, precisamos não só trazer isso em nossos discursos, mas colocar essa forma de enxergar o outro em cada ação que produzimos no mundo, em cada encontro com o outro que é diferente de nós.

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