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David Rodrigues é professor da Universidade de Lisboa e presidente da Pró-inclusão, a associação nacional de docentes da educação Especial. Ele nos conta, em uma conferencia no TED, que durante uma palestra que ele estava dando, uma pessoa na platéia pergunta para ele se inclusão é utopia ou realidade. Ele diz ficou desconcertado, pois como ele poderia defender algo durante anos que seria apenas utópico?

Então, nessa conferência do TED, ele fala um pouco do que é para ele utopia em educação. Vamos compartilhar o que ele considera utopia, pois nos parece importante sermos utópicos quando defendemos a inclusão. Rodrigues começa citando Eduardo Galeano, escritor uruguaio:

“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”

Talvez a inclusão escolar seja um movimento para que nunca deixemos de refletir sobre o funcionamento escolar, para que possamos sempre nos perguntar quais caminhos seguir e por onde devemos ir.

Rodrigues diz que a educação é uma utopia. Afinal, foi nos prometido igualdade de oportunidades para todas as crianças e adolescentes em idade escolar. Foi assim pensado desde que a ideia de escola foi criada: nós vamos dar a todos o mesmo, e a partir de darmos a todos o mesmo, nós criamos igualdade de oportunidades” – e nós sabemos: isso não é verdade. A igualdade de oportunidades não se avalia por aquilo que se dá, mas por aquilo que se recebe. Isto é, não adianta dar a todas as pessoas o mesmo, se eu souber que as pessoas não têm capacidade para receber, para absorver, para usar, para utilizar, para integrar aquilo que lhes é dado. A igualdade de oportunidades não é do lado do que se dá, mas é do lado que se recebe.

E pensando nisso, voltamos a ideia de inclusão escolar – será que ao planejarmos aulas e pensarmos o currículo, estamos pensando em dar as mesmas oportunidades para todos? E será que desta forma, na verdade, nós não estamos sendo injustos já que não garantimos que todos os alunos podem receber igualmente essas oportunidades?

Portanto, o que vamos percebendo é que precisamos inverter a lógica de que são os alunos em situação de inclusão que vão entrar nas salas de aula e precisam funcionar dentro das propostas feitas para um coletivo que teoricamente é igual. Esses alunos necessitam de estratégias diferenciadas, e cabe aos profissionais da escola refletir como isso irá acontecer no coletivo.

A realidade vem nos mostrando que a diversidade é característica central nas salas de aula e que uma única proposta para todos tem sido mostrado cada vez menos eficaz.

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