Tags

, , , ,

A maior parte das iniciativas de inclusão que vemos acontecer são a nível individual. Ou seja, são intervenções planejadas para aquele aluno considerado em situação de inclusão, onde o cotidiano dele é alterado sem necessariamente o funcionamento escolar se modificar. Portanto, temos agora o desafio de coletivizar as ações de inclusão, e modificar o funcionamento da sala de aula para todos possam ser incluídos. O casal Stainback, autores do livro “Inclusão: um guia para educadores”, nos apresenta dois exemplos de iniciativas inclusivas na sala de aula muito interessantes.

1º “Embora o objetivo curricular básico da unidade de ciências ‘entendendo o mundo físico que nos cerca – O que é temperatura?”, fosse considerado adequado a todos os alunos, cada um tinha habilidades e conhecimentos diferentes, de forma que cada aluno precisava concentrar suas energias em diferentes objetivos de aprendizagem específicos ao trabalhar para atingir o objetivo. A maioria estava aprendendo a usar escalas de temperatura Fahrenheit e Celsius, enquanto outros estavam trabalhando com movimento molecular em diferentes temperaturas. Um aluno estava aprendendo a reconhecer os termos quente e frio e a criar uma definição operacional do termo a partir da experiência com objetos diferentes. (…) Ou seja, embora todos os alunos estivessem buscando atingir o mesmo objetivo educacional básico (o que é o calor e como ele é medido) e aprendendo juntos nas atividades de aula, era necessário que se concentrassem em objetivos curriculares diferentes e fossem avaliados segundo estes objetivos.” (STAINBACK, 1999)

Nesse exemplo, percebemos uma aula com diferentes atividades com graus de complexidade distintas acontecendo simultaneamente. A diversidade de propostas de trabalho possibilitou que todos os alunos pudessem aprender coisas sobre a mesma temática, embora em alguns momentos estivessem focados em trabalhos individuais com objetivos específicos.

2º “Em um unidade de história americana do colegial, os alunos tinham um objetivo curricular geral, “Entender a Guerra Civil”. Um objetivo fundamental para os alunos era conhecer os personagens principais da guerra por meio de leituras, de pesquisas na biblioteca e de discussões em aula. Um aluno tinha muito talento artístico, mas não conseguia ler e nem escrever, e tinha uma enorme dificuldade de expressar-se verbalmente. Enquanto a maioria dos alunos recebeu a incumbência de realizar leituras como lição de casa, foi designada a esse aluno a tarefa de desenhar retratos dos personagens a partir das gravuras do livro. Posteriormente, seus desenhos foram usados como estímulo para a discussão sobre as pessoas que estavam sendo estudadas.” (STAINBACK, 1999)

Nesse segundo exemplo, o aluno com dificuldades também faz uma atividade diferente da dos demais colegas, e de forma individual. No entanto, a produção dele pode retornar para o coletivo contribuindo para o aprendizado dos demais alunos, bem como ele pode aprender a partir das falas dos colegas sobre o que tinham lido. Ou seja, nesse exemplo aparece um funcionamento efetivamente coletivo, onde todos fazem parte de atividades em torno da mesma temática e que todas as produções colaboram com o aprendizado do grupo.

Não temos respostas para esse desafio, mas no encontro com o casal Stainback esbarramos com algumas pistas de como misturar individual e coletivo na escola; nossos estudos tem caminhado nessa direção tentando achar linhas para seguir e responder a pergunta de como transformar iniciativas individuais em ações coletivas.

 

Anúncios