Inclusão

Inclusão?

“Trate as pessoas como se elas fossem o que poderiam ser e você as ajudará a se tornarem aquilo que são capazes de ser.” (Goethe)

Partimos da premissa de que a educação é direito de todos. Dessa forma, não há justificativa para que uma criança ou adolescente não esteja na escola e não faria sentido discutir a inclusão escolar. No entanto, a realidade nos mostra que alunos com condições de aprendizagens bastante diversas não ocupam o espaço escolar de uma forma tão natural e isso nos obriga a levantar argumentos a favor da permanência e usufruto com qualidade da escola por parte dessas crianças.

Quando falamos em inclusão, do quê afinal estamos falando?

Apostamos em uma inclusão capaz de enxergar o ser humano em sua complexidade, deslocando o olhar do corpo e enxergando o aluno para além de suas dificuldades e diagnóstico. Assim, busca-se construir um olhar voltado para as potencialidades, apostando na diversidade como valor precioso da vida. Acreditamos que a inclusão será fruto do esforço coletivo de todos os atores que ocupam o espaço escolar, visando modificar as engrenagens enferrujadas da escola.

Para uma inclusão real, as escolas precisam modificar seu funcionamento a fim de atender cada um dos seus alunos – independentemente de suas deficiências, origem socioeconômica ou cultural. Quando crianças em situação de inclusão começam o ocupar o espaço escolar sem que este se transforme para recebê-las, estamos lidando com experiências de integração. Nesse modelo, a diferença é considerada anormalidade. No modelo inclusivo, a diferença é a normalidade.

Incluir é sair da lógica individualizante do “incluir um no coletivo” e entendermos que a inclusão é uma forma de enxergar o mundo, é acreditar num espaço escolar onde caibam todos. Sendo assim, como coloca Kupfer, “a ética, hoje abalada, que sustenta a inclusão escolar, afirma não apenas o direito de uma criança deficiente à escolarização, mas seu direito à vida, o que garante simultaneamente, no mesmo ato, o direito à vida de todas as demais crianças, sejam elas “normais”, “deficientes”, ou sofrendo apenas de uma leve bronquite, coisa que em sociedades muito eugênicas lhes faria correr o risco de ser jogadas do alto de um monte como o Tarjeto.”  Enfim, ao problematizarmos a estrutura da instituição na qual estamos inseridos, garantindo o espaço para o aluno dito diferente, asseguramos que todos os alunos possam ser diferentes afirmando formas singulares de aprender.

A pergunta que hoje se faz é: Como criar uma escola de fato inclusiva ? No entanto, talvez devêssemos nos perguntar o inverso: que estamos fazendo para ter sociedades tão injustas e preconceituosas? No caminho para essas respostas, devemos nos lembrar que para nos constituirmos humanos precisamos ser investidos, precisamos nos sentir desejados. Só dessa forma, somos capazes de aprender, e apenas a partir desta premissa podemos realmente pensar em um modelo ideal de uma escola inclusiva.

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Textos que nos inspiraram

BEYER, Hugo Otto. Da integração escolar à educação inclusiva: implicações pedagógicas. In: BAPTISTA, Cláudio Roberto. Inclusão e escolarização: múltiplas perspectivas. Porto Alegre: Mediação, 2006.

KUPFER, Maria Cristina M. ; FOURMENT, M. Claude . Aspectos éticos, históricos e terapêuticos da inclusão escolar. . In: Teixeira, L. C. , Bucher-Maluschke, J. N. F. . (Org. ). O sofrimento e seus destinos. Psicologia, psicanálise e práticas de saúde. Brasilia: Universa-UCB, 2009, v. 1, p. 273-282.

MACEDO, Lino de. Fundamentos para uma Educação Inclusiva. 2002  http://www.educacao.salvador.ba.gov.br/site/documentos/espaco-virtual/espaco-educar/educacao-especial/artigos/fundamentos%20para%20uma%20educacao%20inclusiva.pdf

MARCONDES, Adriana M. Educação Inclusiva: De quem e de quais práticas estamos falando? In: 27º reunião anual ANPED, 2004 – http://www.anped.org.br/reunioes/27/diversos/se_adriana_marcondes_machado.pdf