Inclusão em debate

Por Ciça Melo Quinta-feira, dia 12 de novembro. 19:30. Botafogo, Rio de Janeiro. Cadeiras extras tiveram que ser colocadas. Quarenta e quatro pessoas foram ouvir a palestra “Inclusão escolar: ferramentas e estratégias possíveis”. Sem dúvida, este é o assunto da vez. Na plateia, muitos rostos conhecidos, outros são novos. A cada dia temos visto outras […]

http://paratodos.net.br/2015/11/16/inclusao-em-debate/

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Ponto a favor da inclusão!

A Folha de São Paulo divulga os primeiros dados de estudo comparativo, realizado pela Apae de SP, sobre o desenvolvimento de alunos com deficiências em escolas especiais e regulares. O estudo mostra maior desenvolvimento dos alunos, principalmente nas áreas de comunicação, autonomia e socialização, nas escolas regulares. 

Em um momento em que o Plano Nacional de Educação está em debate e a palavra “preferencialmente” no centro desse debate, esse estudo é um aliado daqueles que vem defendendo e lutando pela inclusão! 

http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2014/03/1426462-aluno-com-deficiencia-vai-melhor-em-escola-comum-diz-estudo.shtml 

Acessibilidade… um caminho ainda muito distante.

Na minha rua, não havia rampas. Meu marido reclamou no 1746 e agora temos rampas na nossa rua. Será que é assim que funciona?

Em matéria do O Globo ontem, podemos ver como é quase impossível ser deficiente no Rio de Janeiro.

http://oglobo.globo.com/rio/os-cariocas-que-sao-excluidos-pela-cidade-9462333

Essas pessoas são facilmente excluídas da sociedade, e a realidade das escolas não poderia ser diferente. São inúmeras as escolas que alegam não poder receber alunos com deficiência física por não possuírem estrutura para isso.

Dados do censo escolar de 2009 (Brasil), mostram que o índice de acessibilidade na rede pública é de 14,6%; na particular, é de 29,7%. E acessibilidade, nesse contexto, se refere apenas a banheiros e dependências acessíveis – salas, corredores e auditórios – adequados a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

É preciso mais investimento nessa área. É preciso avaliar quais são as maiores necessidades e desenvolver ações imediatas.

Em São Bernardo do Campo, por exemplo, definiu-se o transporte como uma prioridade da política municipal para garantir a acessibilidade dos estudantes com deficiência às escolas. Isso aconteceu porque, durante uma consulta pública à cidade, que envolveu pessoas com deficiência, familiares, instituições especializadas e escolas, percebeu-se que a qualidade do transporte era essencial para se permitir a acessibilidade dos estudantes. A Secretaria investiu, então, em novos veículos adaptados e no treinamento de motoristas e monitores que acompanham esses alunos, para garantir que o transporte escolar seja parte da educação e contribua para uma relação positiva entre as famílias e as escolas. Agora, esses alunos podem ir para a escola.

http://revistasentidos.uol.com.br/inclusao-social/76/artigo290385-2.asp

A partir desse relato, podemos perceber que uma pequena grande ação pode fazer uma diferença imensa na vida das pessoas.

Olhando o seu entorno, que ações você consideraria como imediatas para proporcionar acessibilidade, de fato? 

E, afinal, o que é acessibilidade para você?

Menino autista desacreditado por médicos é cotado para prêmio Nobel

Aos 2 anos, médicos diziam que ele teria dificuldades para aprender a ler. Nove anos depois, americano Jacob Barnett entrava na universidade.

 Jacob falava pouco, mas estava constantemente pensando em padrões matemáticos (Foto: BBC)Jacob falava pouco, mas estava constantemente pensando em padrões matemáticos (Foto: BBC)

Aos dois anos de idade, o jovem americano Jacob Barnett foi diagnosticado com autismo, e o prognóstico era ruim: especialistas diziam a sua mãe que ele provavelmente não conseguiria aprender a ler ou sequer a amarrar seus sapatos.

Mas Jacob acabou indo muito além. Aos 14 anos, o adolescente estuda para obter seu mestrado em física quântica, e seus trabalhos em astrofísica foram vistos por um acadêmico da Universidade de Princeton como potenciais ganhadores de futuros prêmios Nobel.

O caminho trilhado, no entanto, nem sempre foi fácil. Kristine Barnett, mãe de Jacob, diz à BBC que, quando criança, ele quase não falava e ela tinha muitas dúvidas sobre a melhor forma de educá-lo.

“(Após ser diagnosticado), Jacob foi colocado em um programa especial (de aprendizagem). Com quase 4 anos de idade, ele fazia horas de terapia para tentar desenvolver suas habilidades e voltar a falar”, relembra.

“Mas percebi que, fora da terapia, ele fazia coisas extraordinárias. Criava mapas no chão da sala, com cotonetes, de lugares em que havíamos estado. Recitava o alfabeto de trás para frente e falava quatro línguas”.

Jacob diz ter poucas memórias dessa época, mas acha que o que estava representando com tudo isso eram padrões matemáticos. ‘Para mim, eram pequenos padrões interessantes.’

Estrelas
Certa vez, Kristine levou Jacob para um passeio no campo, e os dois deitaram no capô do carro para observar as estrelas. Foi um momento impactante para ele.

Meses depois, em uma visita a um planetário local, um professor perguntou à plateia coisas relacionadas a tamanhos de planetas e às luas que gravitavam ao redor. Para a surpresa de Kristine, o pequeno Jacob, com 4 anos incompletos, levantou a mão para responder. Foi quando teve certeza de que seu filho tinha uma inteligência fora do comum.

Alguns especialistas dizem, hoje, que o QI do jovem é superior ao de Albert Einstein.

Jacob começou a desenvolver teorias sobre astrofísica aos 9 anos. No livro The Spark (A Faísca, em tradução livre), que narra a história de Jacob, ela conta que buscou aconselhamento de um famoso astrofísico do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, que disse a ela que as teorias do filho eram não apenas originais como também poderiam colocá-lo na fila por um prêmio Nobel.

Dois anos depois, quando Jacob estava com 11 anos, ele entrou na universidade, onde faz pesquisas avançadas em física quântica.

Questionada pela BBC que conselhos daria a pais de crianças autistas – considerando que nem todas serão especialistas em física quântica -, Kristine diz acreditar que “toda criança tem algum dom especial, a despeito de suas diferenças”.

“No caso de Jacob, precisamos encontrar isso e nos sintonizar nisso. (O que sugiro) é cercar as crianças de coisas que elas gostem, seja isso artes ou música, por exemplo”.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/05/menino-autista-genio-da-fisica-cotado-para-um-dia-levar-nobel.html

E ai? O que vocês pensam sobre isso?

DSM-5: Em quantas patologias você se encaixa?

“Acordei doente mental” 

Eliane Brum

“(…) darmos a um grupo de psiquiatras o poder – incomensurável – de definir o que é ser ‘normal'”

“No que se refere à patologização da infância, o comentário mais incisivo de Allen Frances talvez seja este: ‘Nós não temos ideia de como esses novos diagnósticos não testados irão influenciar no dia a dia da prática médica, mas meu medo é que isso irá exacerbar e não amenizar o já excessivo e inapropriado uso de medicação em crianças. Durante as duas últimas décadas, a psiquiatria infantil já provocou três modismos — triplicou o Transtorno de Déficit de Atenção, aumentou em mais de 20 vezes o autismo e aumentou em 40 vezes o transtorno bipolar na infância. Esse campo deveria sentir-se constrangido por esse currículo lamentável e deveria engajar-se agora na tarefa crucial de educar os profissionais e o público sobre a dificuldade de diagnosticar as crianças com precisão e sobre os riscos de medicá-las em excesso. O DSM-5 não deveria adicionar um novo transtorno com o potencial de resultar em um novo modismo e no uso ainda mais inapropriado de medicamentos em crianças vulneráveis'”. 

O debate por conta desse lançamento tem se multiplicado. Podemos ter esperanças, e até ver certas positividades, já que, como diz Brum, “Ao considerar que quase tudo é “anormal”, os organizadores do manual poderiam estar chegando a uma concepção filosófica bem libertadora. A de que, como diria Caetano Veloso, ‘de perto ninguém é normal,”.

Entramos todos na anormalidade, então vamos brincar de diagnosticar! Em quantos diagnósticos você se encaixa? Leia o manual e faça as contas!

Apesar de saber que você não é capaz, eu deixo você participar.

O texto “A criança com deficiência é café-com-leite?”, do blog Inclusão Aprendiz, inspira esse post.

A famosa expressão “café-com-leite” explicita o que muitos de nós sentimos sobre experiência escolar dos “alunos de inclusão” – sabemos que ele não vai aprender, mas deixamos ele estar na escola mesmo assim. A escola hoje, por vezes, assume a postura de estar fazendo um favor a esses alunos e suas famílias. Esquece que todo aluno tem o direito de estar na escola, e todo o aluno é capaz de aprender. Está fazendo sua obrigação mínima, aceitá-los na escola. E como essa forma de enxergar a inclusão nos incomoda!

“Ela estará na escola, mas não estará jogando”

A criança está na escola, ponto. Fazê-la jogar cabe ao mediador. O que fazemos hoje talvez seja integração, uma escola integrativa, mas não inclusiva. Talvez seja hoje o possível, mas é preciso admitir isso e não se esconder atrás da bonita máscara da inclusão. Preciso admitir que não fazemos inclusão para que possamos continuar buscando modos de fazê-la de fato.

“O aluno deficiente precisa (…) saber porque é importante aprender (…). Um sentido para sua aprendizagem, é algo que todo e qualquer aluno deveria ter.”

Compromisso com o aprendizado é a ideia chave do texto. Compromisso é apostar que eles podem aprender, é levar seu aprendizado a sério, é cobrar dele aquilo que ele pode fazer, como fazemos com qualquer aluno. É não tratá-lo como “café-com-leite”, seja família, escola, ou mediador. Esse talvez seja nosso maior desafio.

E por fim, o texto traz uma bela conclusão:

“Ter um filho ou aluno “café-com-leite” resulta em economia na expectativa e no investimento e numa conseqüente resposta econômica por parte da criança, ou seja, ninguém faz tudo o que pode ou precisa ser feito – nem ela, nem seus pais, nem seus educadores. Encarar o aluno com SD ou outra deficiência de maneira séria significa que o aluno vai dar o máximo de si, enquanto a escola e o educador estarão dando o máximo deles também. Ninguém estará fazendo de conta, nem que aprende, nem que ensina. A criança com necessidades educativas especiais merece e pode estar no jogo. E  jogar.”